A partir do dia 01 de abril, a galeria Mercedes Viegas
Arte Contemporânea apresentará a exposição
Desenhos de Angelo Venosa. Esta será
a primeira individual realizada pela galeria neste ano. Angelo
Venosa, que não expõe individualmente
no Rio de Janeiro desde 1998, apresentará nove peças
inéditas. Estas são, em sua maioria, planares,
objetos de parede: desenhos recortados em alumínio
e aço corten, a partir de matéria prima digital
oriunda do processo de fatiamento, por ressonância magnética,
do corpo humano.
A série de trabalhos que será apresentada, lida
com os resíduos de um projeto anteriormente realizado
pelo artista — as inúmeras linhas, curvas vetoriais,
usadas inicialmente na reconstrução / reinterpretação
de um corpo humano fatiado. Essas linhas, que no projeto original
correspondiam à rigorosa seqüência e posição
no espaço, agora são efluentes, sobras de material,
novelos na caixa de costura, manipuladas sem o rigor de origem.
Não importa mais a posição na seqüência
da série, não importa a conformação
geométrica, estas linhas passam a ser qualquer coisa,
inútil desenho.
As linhas — arestas de planos anelados com dimensões
“x” por “y” e posicionamento que seguiam
um passo regular no eixo “z” -, estão agora
sobrepostas em um único plano. Esse plano, que poderia
ser a superfície do papel, (podendo ter essas linhas,
nesse caso, valor gráfico, espessura, cor, intensidade)
é, nesta série, plano concreto - parede. Tem
realidade física; espessura, massa e peso. Estes desenhos
/ não-desenhos, são recortes em chapas metálicas:
alumínio e aço corten.
Um se metamorfoseia dependendo da incidência luminosa,
dificultando a tentativa de se encontrar o ponto ideal de
visão. O outro, mais denso, revela em sua superfície
uma amostra o mais honesta possível da experiência
do tempo.
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