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Texto Crítico
Os trabalhos de Ivens preservam igualmente a derrisão
por qualquer perspectiva subjetivista, mas, ao introduzir o acaso
como dispositivo operatório, frustram a dimensão utópica
presente nos debates sobre o múltiplo como categoria estética.
Unicidade e multiplicação que, distantes de qualquer
relação com o processo industrial, incorporam a bricolagem
com seu movimento incidental, sua técnica improvisada, adaptada
às circunstâncias e eventualidades. Com meios indiretos
e desvio dos meios costumeiros e literais, o trabalho produz transformações
ao colocar os objetos em movimento e em relação. De
maneira organizada ou aleatoriamente, o processo de acumulação,
marcadamente impessoal, nega o trabalho singular ou o indivíduo
criador, buscando dar, como diz o artista, “espaço e
voz aos restos”.
Acumulações que indicam metamorfoses
estruturais e conceituais em seu trabalho escultórico, no
qual se conjugam questões tanto de superfície, por
vezes de transparência, como de volume e de espaço enquanto
presenças físicas evocando formas intemporais das culturas
populares, primitivas e arcaicas. |