A “Queda de Ícaro” de 1980 foi
seu primeiro trabalho a fazer uma referência específica
à mitologia clássica. A lenda de Ícaro é
uma parábola sobre os limites da matéria e da ambição
humana. Tem sido usada em arte durante centenas de anos, notadamente
por Breughel, no quadro hoje no Musée des Beaux-Arts, em Bruxelas.
Em 1938 o poeta inglês W.H. Auden escreveu uma elegia a este
trabalho, observando: “Acerca do sofrimento os Antigos Mestres
jamais erraram / entenderam o seu lugar humano, e como ocorre / enquanto
um outro come, abre uma janela ou passa cego”. O contraste
entre a tragédia dramática do fracasso de Ícaro
e a indiferença do mundo que o cerca, que segue como se nada
houvesse, assinala uma profunda e cáustica relação
entre intenção e natureza, sendo o último sempre
vencedor.
O trabalho de Katie van Scherpenberg utiliza-se
do pathos no seu sentido mais exato, gerando uma resposta emocional
por meio de um sentimento de desistência. Jamais ilustra uma
cena ou uma situação, nem se atém à ortodoxia
geométrica. Seu trabalho se utiliza de processos inerentes
aos materiais e ao tempo para produzir algo (uma composição)
que, se não fosse pela intervenção da artista
não viria à tona. Mas, uma vez existente conta com
as propriedades desses mesmos materiais e a sua interação
com o ambiente ao seu redor.
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