" Coisas que talvez vivi talvez você talvez não. Para que fiquem ali e na figura delas, novidades de novo".
Já anteriormente artistas como Arthur Barrio e Daniel Senise haviam observado este aspecto de singularidade da produção de Marco Veloso. Em 2003, Barrio declarou que o desenho do artista representa "um dos melhores momentos do desenho... de verdade" e Daniel Senise, em 1997, descrevia o seguinte contraste: "quando vejo estes desenhos, sem sintomas de temas ou de estilo... penso no quanto estamos perdendo com nossa consciência plástica contemporânea... Podem-se nos revelar milhares de referências, mas a estrutura e o conteúdo muitas vezes nos escapam".
As possibilidades oferecidas pelo uso do carvão têm direcionado Marco Veloso na exploração de fortes contrastes entre diferentes tons de cinza, de preto e de branco. Este efeito vibrante de sombra, de luz e de brilho enriquece seu desenho com elementos táteis sobrepostos e intercalados à pura visualidade do grafismo no papel, além de ampliar os campos da aplicação e da plasticidade do carvão e, também, de todo o material concreto dos signos e das imagens.