Sobre o espaço
Amalia Giacomini e Eduardo Coimbra
Há algum elemento essencial às
poéticas de Amalia Giacomini e Eduardo Coimbra? O que
pode haver em comum entre trabalhos de aparência tão
diversa? Se tomarmos as obras apresentadas nesta mostra da
Galeria Mercedes Viegas, responderemos positivamente. São
trabalhos que nascem e se nutrem de uma reflexão sensorial
e sensível a respeito do Espaço, campo historicamente
consagrado à interpretação plástica,
à ação e à intervenção
do artista, portanto indissociável da inteligência
que move a própria arte.
No entanto ao confrontá-los podemos ver que se a reflexão
de Coimbra passa pela proposta de uma nova Paisagem, de uma
outra concepção espacial em relação
à da janela Renascentista; a de Amalia apropria-se
de algumas representações racionais (e portanto
abstratas) do próprio espaço para torná-las
sensíveis nos lugares nos quais são mostradas.
Entre os ícones de Eduardo e as projeções
de Giacomini, estão virtualmente enunciadas diversas
possibilidades de elaboração do espaço
contemporâneo.
As intervenções de Amalia operam uma transmutação
de dois sistemas geométricos de representação
e percepção do espaço caros à
visualidade Ocidental: o que levou ao naturalismo típico
da arte clássica dos séculos XV e XVI e o que
rompeu com esta a partir da modernidade; isto é: de
Euclides à geometria